segunda-feira, 18 de maio de 2009

Das Utopias
















Se as coisas são inatingíveis... ora!
não é motivo para não querê-las.
Que tristes os caminhos, se não fora
a mágica presença das estrelas!


Mário Quintana

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Voltas e mais Voltas
























A exigência com nós próprios, é o caminho que nos leva aos nossos Sonhos. Não devemos aceitar menos, do que aquilo que merecemos.

Ser-se exigente...
é não aceitar que a Vida dite o nosso destino, é sermos nós os donos do nosso caminho.
é ter sempre em perspectiva, que os nossos Sonhos, são tudo aquilo que há de mais importante em Nós
é não aceitar que a nossa Vida se torne numa sobrevivência, em que apenas existimos.
é procurar soluções onde os outros vêem desculpas.
é ter um rumo para o Sonho da nossa Vida.
é ter coragem de dizer não ao bom, para poder dizer sim, ao Inimaginavelmente Belo.


Sonhar...
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
É condensar o mundo num só grito!


João/Florbela Espanca

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Aquela Porta


















Hoje vi-te... Passaste por aquela porta, aquela que me tinhas prometido que nunca irias transpor.

Trazes a tristeza no teu rosto, há quanto tempo não via tamanha amargura, tamanha solidão, tamanha melancolia. Tudo em ti é triste, como um grito do desespero que inunda o teu corpo, transbordando em silêncio, pelas ruas do destino.
Paraste em frente à porta, olhaste para trás, como que a tentar perceber se alguém te olhava. Não me esqueço desse voltar de face, na realidade queres cruzar essa porta sem que ninguém te veja, porque estás a admitir que afinal não és assim tão forte, que não és essa fortaleza que todos pensam que és, que não és inabalável, indestrutível, afinal és um simples ser humano. Hoje és um mero castelo de areia que se desmoronou, apenas com um sopro da Vida, hoje és um nada disfarçado de tudo, hoje és o solstício do inverno, que na noite mais profunda não quer viver.
Estás a chorar como uma criança, as lágrimas esvaziam o teu olhar, cada uma traz uma emoção, mas nenhuma traz alegria, não param, nem querem parar, anseiam apenas por encontrar o seu caminho. Queres te esconder do mundo, mas eu vejo-te, não me iludes com esse teu jeito de quem tem o Tudo na Alma, de mim não te podes esconder. Sei que te sentes em clausura, pois não há maior prisão do que aquela que se esconde dentro de nós, é uma prisão da qual não se pode escapar, não tem paredes, nem grades, apenas convicções, é uma prisão feita de certezas incertas, é a tua prisão.
Grito-te ao longe, mas não me ouves, na realidade não ouves ninguém, diria até, que tens a Alma surda. Observo-te e tu não me vês, afinal tens também a Alma Cega. Contínuo a gritar e tu nada, de repente decides avançar, tento-te impedir, mas não sei como, desapareces, desapareces no nevoeiro dos teus pensamentos e não dizes por onde vais e se algum dia voltas.

Resolvi que vou esperar sentado, sentado nesta pedra que tu um dia me disseste, ser a pedra mais linda do teu Castelo. Não sei se voltas, espero que sim...



João

sábado, 2 de maio de 2009

2046
























"Todas as recordações são rastos de lágrimas"

Há muito esperava este momento, ir para 2046. Existe um comboio misterioso que parte para 2046, todas as pessoas que entram neste comboio procuram memórias desvanecidas, isto porque em 2046 nada muda. Em 2046 procuram-se Amores perdidos, procuram-se Amores não vividos, em 2046 procuram-se Emoções. Quando se entra neste comboio o tempo deixa de existir, apenas a realidade insondável do que se procura sentir. Nunca ninguém voltou de 2046...


Partir para 2046 é no fundo, parar no tempo e não caminhar na Vida. Quem verdadeiramente já Amou e perdeu esse Amor, em determinado período da Vida viajou para 2046. Nesta viagem sem destino, há quem consiga efectivamente regressar e cortar com o passado, há quem consiga voltar a Amar. Aqueles que não voltam, são aqueles que perderam o Amor da sua Vida, para esses não existe retorno possível, apenas o contentamento virtual das memórias, para esses a tristeza eterna de quem tudo perdeu. Há quem nunca consiga voltar a Amar...

Tal como é mencionado no filme "O Amor é uma questão de oportunidade, de nada vale encontrar a pessoa certa, antes ou depois da altura certa"

"No Amor não há substitutos"

http://www.youtube.com/watch?v=0fV7L0SS3B0&feature=related


João

terça-feira, 14 de abril de 2009

Gestos

















Há gestos que têm tanto de surpreendente, como de maravilhoso. Há gestos «Bonitos»

"Bonita"

Primeiro foram as mãos que me disseram
que ali havia gente de verdade
depois fugi-te pelo corpo acima
medi-te na boca a intensidade
senti que ali dentro havia um tigre
naquele repouso havia movimento
olhei-te e no sol havia pedras
parámos ambos como se parasse o tempo
parámos ambos como se parasse o tempo

é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas
é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas

atrevi-me a mergulhar nos teus cabelos
respirando o espanto que me deras
ali havia força havia fogo
havia a memória que aprenderas
senti no corpo todo um arrepio
senti nas veias um fogo esquecido
percebemos num minuto a vida toda
sem nada te dizer ficaste ali comigo
sem nada te dizer ficaste ali comigo

é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas
é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas

falavas de projectos e futuro
de coisas banais frivolidades
mas quando me sorriste parou tudo
problemas do mundo enormidades
senti que um rio parava e o nevoeiro
vestia nos teus dedos capa e espada
queria tanto que um olhar bastasse
e não fosse no fundo preciso
queria tanto que um olhar bastasse
e não fosse preciso dizer nada

é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas
é tão dificil encontrar pessoas assim pessoas

Pedro Barroso
http://www.youtube.com/watch?v=xzUjbfQHq9Y


Concordo, é mesmo muito "difícil encontrar pessoas assim bonitas"...


Obrigado Sandra.


João

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Pedras no Caminho
























Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
Mas não esqueço que a minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver,
Apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas
E se tonar autor da sua própria história.
É atravessar desertos fora de si,
Mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É falar de si mesmo.
É ter coragem de ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.


Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo...


Fernando Pessoa

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Emoções, Num olhar de um Piano
























Porque há momentos na Vida que são incomparáveis.

Fui escutar um piano, confesso que desde há algum tempo me tornei fã deste instrumento, que é para mim tão só o meu instrumento de eleição e aquele que um dia almejo em saber «sentir». Como é normal ouvi diversas vezes música clássica quando era mais novo, mas por razões de maturidade não consegui perceber a verdadeira dimensão deste tipo de música e fazia aquelas críticas normais, de quem ainda tem a Alma fechada, para este tipo de coisas.

Lembro-me como se fosse hoje, quando o momento mágico chegou. Estavamos em 2002, foi num filme de Roman Polansky "O Pianista", como esquecer aquela cena em que Władysław Szpilman (Adrien Brody) «toca» para o capitão Nazi. A magia desse momento perdurará para sempre nos anais do cinema. Trata-se de um momento simplesmente magnífico, de uma «beleza» e intensisdade emocional extrema. Władysław Szpilman (Adrien Brody) completamente esfomeado é apanhado pelo seu "inimigo", este, ao vê-lo e confrontado com o estado de miséria humana, procura saber quem ele é. A resposta "Ich war Pianist", abriu o pano para esta cena verdadeiramente sublime. Szpilman interpreta Chopin (Ballade 1 in G Minor OP.23). Recordo-me tão bem (oiço neste momento esta música), os nós na garganta, as lágrimas que cairam pelo meu rosto, o turbilhão de emoções que vivi naquele momento, naquele cinema, é um momento inesquecível.
As emoções são algo de transversal na raça humana, mas o Sentir de forma especial não, apenas está ao alcançe de alguns. Foi esse Sentir que naquele momento uniu o Pianista e o Capitão Nazi. As emoções são o elo de ligação das Almas Iluminadas, reconhecem-se, tocam-se no vácuo do tempo, e vivem para sempre...

http://www.youtube.com/watch?v=RkUVb1AJbSM&feature=related

Devo acrescentar, que depois do início do meu interesse por musica clássica e nomeadamente por Piano, me dei conta que tenho uma tendência natural para o período Romântico: Beethoven, Chopin, Tchaikovsky, Mendelssohn. E para os Russos: Prokofiev (quem já assistiu ao Bailado O Lago dos Cisnes, deve entender do que falo), Rachmaninov. Acho que os Russos têm um pouco da "Alma Portuguesa", que nós tão bem reconhecemos no Fado. Têm aquela melancolia que voa na palavra «Saudade», uma intensidade dramática que toca a Alma.


Não sendo um entendido na matéria, tenho para mim que tocar piano, além da componente técnica e de aprendizagem musical que é necessária, tem muito de emocional nas suas interpretações. Tal como um Poeta que escreve o que sente, o Pianista toca o que lhe vai na Alma. Deve ser algo de tão maravilhoso, que nem se quer imagino o que estas pessoas devem sentir...
Todo o ser humano Sente, é instrínseco à Alma Humana, mas há pessoas que Sentem de outra forma, estão num outro Universo, não partilham o mundo com o comum dos mortais, devemos aceitar esse facto e não sermos hipócriticas, caindo no clichê recorrente que "somos todos iguais", não é verdade, há pessoas mais inteligente que outras, há pessoas mais espertas que outras, há pessoas mais «boas» que outras, há seres humanos melhores que outros. São estas pessoas pessoas que devemos encontrar nos desencontros da Vida, e é por momentos assim que vale a pena Viver...


Ao som do teu piano,
profunda melancolia

Envolto em lágrimas púrpuras,
a doce frescura do teu Olhar

Porque há Gente que não é só,
Gente...


João