terça-feira, 14 de abril de 2009

Gestos

















Há gestos que têm tanto de surpreendente, como de maravilhoso. Há gestos «Bonitos»

"Bonita"

Primeiro foram as mãos que me disseram
que ali havia gente de verdade
depois fugi-te pelo corpo acima
medi-te na boca a intensidade
senti que ali dentro havia um tigre
naquele repouso havia movimento
olhei-te e no sol havia pedras
parámos ambos como se parasse o tempo
parámos ambos como se parasse o tempo

é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas
é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas

atrevi-me a mergulhar nos teus cabelos
respirando o espanto que me deras
ali havia força havia fogo
havia a memória que aprenderas
senti no corpo todo um arrepio
senti nas veias um fogo esquecido
percebemos num minuto a vida toda
sem nada te dizer ficaste ali comigo
sem nada te dizer ficaste ali comigo

é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas
é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas

falavas de projectos e futuro
de coisas banais frivolidades
mas quando me sorriste parou tudo
problemas do mundo enormidades
senti que um rio parava e o nevoeiro
vestia nos teus dedos capa e espada
queria tanto que um olhar bastasse
e não fosse no fundo preciso
queria tanto que um olhar bastasse
e não fosse preciso dizer nada

é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas
é tão dificil encontrar pessoas assim pessoas

Pedro Barroso
http://www.youtube.com/watch?v=xzUjbfQHq9Y


Concordo, é mesmo muito "difícil encontrar pessoas assim bonitas"...


Obrigado Sandra.


João

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Pedras no Caminho
























Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
Mas não esqueço que a minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver,
Apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas
E se tonar autor da sua própria história.
É atravessar desertos fora de si,
Mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É falar de si mesmo.
É ter coragem de ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.


Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo...


Fernando Pessoa

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Emoções, Num olhar de um Piano
























Porque há momentos na Vida que são incomparáveis.

Fui escutar um piano, confesso que desde há algum tempo me tornei fã deste instrumento, que é para mim tão só o meu instrumento de eleição e aquele que um dia almejo em saber «sentir». Como é normal ouvi diversas vezes música clássica quando era mais novo, mas por razões de maturidade não consegui perceber a verdadeira dimensão deste tipo de música e fazia aquelas críticas normais, de quem ainda tem a Alma fechada, para este tipo de coisas.

Lembro-me como se fosse hoje, quando o momento mágico chegou. Estavamos em 2002, foi num filme de Roman Polansky "O Pianista", como esquecer aquela cena em que Władysław Szpilman (Adrien Brody) «toca» para o capitão Nazi. A magia desse momento perdurará para sempre nos anais do cinema. Trata-se de um momento simplesmente magnífico, de uma «beleza» e intensisdade emocional extrema. Władysław Szpilman (Adrien Brody) completamente esfomeado é apanhado pelo seu "inimigo", este, ao vê-lo e confrontado com o estado de miséria humana, procura saber quem ele é. A resposta "Ich war Pianist", abriu o pano para esta cena verdadeiramente sublime. Szpilman interpreta Chopin (Ballade 1 in G Minor OP.23). Recordo-me tão bem (oiço neste momento esta música), os nós na garganta, as lágrimas que cairam pelo meu rosto, o turbilhão de emoções que vivi naquele momento, naquele cinema, é um momento inesquecível.
As emoções são algo de transversal na raça humana, mas o Sentir de forma especial não, apenas está ao alcançe de alguns. Foi esse Sentir que naquele momento uniu o Pianista e o Capitão Nazi. As emoções são o elo de ligação das Almas Iluminadas, reconhecem-se, tocam-se no vácuo do tempo, e vivem para sempre...

http://www.youtube.com/watch?v=RkUVb1AJbSM&feature=related

Devo acrescentar, que depois do início do meu interesse por musica clássica e nomeadamente por Piano, me dei conta que tenho uma tendência natural para o período Romântico: Beethoven, Chopin, Tchaikovsky, Mendelssohn. E para os Russos: Prokofiev (quem já assistiu ao Bailado O Lago dos Cisnes, deve entender do que falo), Rachmaninov. Acho que os Russos têm um pouco da "Alma Portuguesa", que nós tão bem reconhecemos no Fado. Têm aquela melancolia que voa na palavra «Saudade», uma intensidade dramática que toca a Alma.


Não sendo um entendido na matéria, tenho para mim que tocar piano, além da componente técnica e de aprendizagem musical que é necessária, tem muito de emocional nas suas interpretações. Tal como um Poeta que escreve o que sente, o Pianista toca o que lhe vai na Alma. Deve ser algo de tão maravilhoso, que nem se quer imagino o que estas pessoas devem sentir...
Todo o ser humano Sente, é instrínseco à Alma Humana, mas há pessoas que Sentem de outra forma, estão num outro Universo, não partilham o mundo com o comum dos mortais, devemos aceitar esse facto e não sermos hipócriticas, caindo no clichê recorrente que "somos todos iguais", não é verdade, há pessoas mais inteligente que outras, há pessoas mais espertas que outras, há pessoas mais «boas» que outras, há seres humanos melhores que outros. São estas pessoas pessoas que devemos encontrar nos desencontros da Vida, e é por momentos assim que vale a pena Viver...


Ao som do teu piano,
profunda melancolia

Envolto em lágrimas púrpuras,
a doce frescura do teu Olhar

Porque há Gente que não é só,
Gente...


João

domingo, 29 de março de 2009

Amostra sem valor






















Eu sei que o meu desespero não interessa a ninguém.
Cada um tem o seu, pessoal e intransmissível:
com ele se entretém
e se julga intangível.

Eu sei que a Humanidade é mais gente do que eu,
sei que o Mundo é maior do que o bairro onde habito,
que o respirar de um só, mesmo que seja o meu,
não pesa num total que tende para infinito.

Eu sei que as dimensões impiedosos da Vida
ignoram todo o homem, dissolvem-no, e, contudo,
nesta insignificância, gratuita e desvalida,
Universo sou eu, com nebulosas e tudo.

António Gedeão

8 ou 80
























Fui à janela e vi o Sol, encheu-me a alma. Decidi ir fotografar, sinto que logo à tarde, a Luz de Lisboa (que apenas habita a realidade da nossa mágica cidade) me vai contar histórias de encantar. Vou «agarrar» imagens, vou «roubar» momentos congelados no tempo, vou ser Feliz.

Não escrevo sobre mim, mas hoje acordei com essa vontade. Será uma excepcionalidade, neste meu pequeno «Passeio dos Sonhos».
Resolvi escrever ao som de música, ritual que não dispenso quando descobri que gosto de escrever, de navegar pelos meus pensamentos. Escolhi Yann Tiersen, conheci-o quando vi o filme " O Fabuloso Destino de Amelie Poulain", foi Amor à primeira vista.

Sou por vezes "criticado" pela forma intensa, apaixonada como me entrego à Vida, às coisas/pessoas que gosto. Não concebo Viver de outra forma. Dizem-me que devia dosear as minhas verbalizações, a forma como me entrego. A maioria das pessoas não estão preparadas para lidar com alguém como eu, dizem. Interrogo-me nesta afirmação, até porque quero ao pé de mim pessoas excepcionais, incríveis. Como é possível viverem, contidos, com medo, viver num mundo de duplos significados, em que o sim é não e o não é sim. Vivem com medo de Sentir, de se magoar, com medo de cair. Na realidade vivem com medo de serem Felizes, porque o "Sofrimento" e a Felicidade andam lado a lado na Vida. Como dar valor a algo, se não pudermos comparar?

Digo o que sinto e as minhas acções são o reflexo disso mesmo, não faço fretes, nem quero que os façam comigo. Gosto de transparência, que me digam as coisas mais belas do mundo e também as coisas mais terríveis caso o seja necessário, sem receios, nem medos, com a atitude de quem diz o que sente e sente o que diz.
As palavras devem ser um prolongamento das nossas acções, uma materialização verbal do que fizemos ou faremos. Quando elas não se encontram, então há algo que não está bem. Na minha curta experiência de vida, digo que não devemos perder tempo com este tipo de atitude, é simplesmente uma perda de energia que poderia estar a ser canalizada para algo muito mais interessante.

Não sou de cinzentos, não viajo pela Vida como o equilibrista que atravessa o arame, que não cai e que se cair tem a segurança da rede. Tomo opções, boas ou más, tomo-as, já errei, já acertei, Vivo. Já caí algumas vezes, custa, é díficil, mas permite-me ficar cada vez mais perto dos meus Sonhos, queda após queda. Não desisto nem que tenha de cair um milhão de vezes e de me levantar outras tantas vezes. Lutarei contra o Mundo, com e sem Moinhos de Vento, Luto de peito aberto. Os meus Sonhos? a minha espada...

Não abdico das minhas convicções. Não abdico do que Sou..

Sou,
8 ou 80
Tudo ou Nada
Preto ou Branco
Amigo ou Inimigo
Viver ou Morrer

Não tenho meio termo, sou assim...
Estou Certo ou Errado, é Bom ou é Mau? O futuro o dirá...


João

P.S: João adorei ler na Visão que estás «largado ao Vento», tens razão é profundamente poético, é algo de tão bonito que me vieram as lágrimas aos olhos.
Abraço com Saudade

quinta-feira, 12 de março de 2009

Há Dias...















Fugi de ti,
Ilusão de mim

Luto,
Oiço-te

Metamorfose
Encantada

Nada,
Até

Nunca...


João

Momentos Inimaginavelmente Belos

















Tenho para mim que as coisas importantes na Vida, são Inimaginavelmente Belas. A importância das coisas e tão maior quanto a sua intensidade, raridade, significado.
O Inimaginavelmente Belo (digo Belo não num sentido estético) é raro, e é raro para que o possamos distinguir de tudo o resto que acontece na nossa Vida e que é de alguma forma banal, e não tem o significado de um Sonho, de uma excepcionalidade, da percepção que temos quando de facto estamos perante um momento único.

Que diríamos de uma sonata para piano, de Chopin, se todos pudéssemos compor de forma tão sublime. Que diríamos de um Guernica (Picasso) ou de um O Beijo (Gustav Klimt), se todos tivessemos o dom de pintar. Que diríamos do Romeu e Giulietta (Shakespeare) se todos pudéssemos escrever. Que diríamos do Amor da nossa Vida, se cada pessoa que cruza o nosso caminho, fosse também ela o Amor da nossa Vida...

A raridade tem também uma explicação científica, mais concretamente através da estatística, e pode ser explicada através dos axiomas da probabilidade. Explicando de forma muito simples: se é raro, a sua possibilidade de ocorrência é menor. Esta regra matemática não deixa de ser cruel, em muitos casos, há pessoas que se calhar nunca vão poder sentir um Momento destes.

Por vezes vivemos tão ansiosos por esses Momentos Inimaginavelmente Belos, que nos esquecemos de estar preparados para eles, quando eles realmente nos batem à porta. Como poderemos sentir a verdadeira dimensão de algo tão profundo, se estamos muitas vezes direccionados para as tais banalidades, que a Vida e mais concretamente a Sociedade faz o "favor" de nos apresentar no nosso dia a dia. Por vezes custa muito manter a perspectiva deste Ideal, porque somos pressionados a viver como máquinas, como seres não pensantes, programados para não sentir, para não Viver, puxados para uma sobrevivência material. Eu digo Sentir em vez da dormência que nos querem impor, eu digo Emoções em vez do ter , eu digo rir, chorar, sonhar, celebrar, errar, Eu digo Viver e não sobreviver...


Existe uma frase do Fernando Pessoa que gosto particularmente: "O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis"

Podemos ser pessoas orientadas à raridade ou a banalidade, mas isso é uma escolha de cada um de nós, que não deve, nem pode ser criticada, porque se trata de uma opção e cada indivíduo deve ter a liberdade de, poder escolher o seu próprio caminho.

Eu escolhi o caminho do Inimaginavelmente Belo e tu?


João